A noite estava tão bonita…
tempos que eu não notava a lua…
Redonda, gigante, iluminando a rua…
E enquanto as nuvens noturnas tomam forma de demônios,
me pego imaginando,
quão forte eu seria se eu fosse um deus…
Daria nome de pessoas queridas às estrelas
e as observaria por milênios
até que cada uma delas se apagasse…
Daria a sabedoria aos humanos para que
esses me agradecessem pela dádiva da vida…
Os faria entender que o milagre e o dom da vida
se dá justamente pelo fato de ela (a…
Se tiver um tempo pra pensar em mim,
Ao me encontrar, repare que compartilhei contigo
Se tiver um tempo pra sonhar comigo,
me procure em sonho, numa noite dessas,
Vou acreditar mesmo que seja só um sonho…
vou acordar e me sentir bem ao menos
E vou sentir que a vontade
nunca foi tão grande e que talvez
Hoje me fizeram lembrar de ti…
Me fizeram falar de ti…
não que eu tivesse te esquecido…
bem pelo contrário, penso em você sempre.
É que falar sobre isso me deixa péssimo.
“Tu curtia ela né?” - Ele perguntou.
“Muito” - Foi só o que eu consegui dizer
tentando esconder a expressão abatida.
Lembrei nitidamente da tarde e
que tudo começou a ruir…
da noite em que assisti Johnny e June sozinho
na minha casa, diferente do que eu havia planejado pra nós.
Sei que já faz tanto tempo e que não…
Cavalgando sozinho em meus sonhos
atravesso a Espanha à procura de gigantes
e de dragões aos quais possa enfrentar…
Moinhos de vento não me assustam,
donzelas não precisam de ajuda.
Mas eis que de repente apenas um ser pode me derrotar…
E minha armadura já não é impenetrável…
Sou o Homem de Lata no mundo e Oz…
Meu maior desejo se torna uma maldição
O inferno vem da maneira que eu não queria…
Com o peito aberto meu coração é devorado…
Por uma pomba branca que no fim das contas
…
Os cortes no teu rosto
formam cicatrizes em mim…
Seus atos deixam marcas
na minha alma.
Sou um Retrato para
Dorian Gray ao avesso…
A todo e qualquer Dorian fica a vida…
pra mim ficam as dores…
Todos esses sentimentos se formando
ao meu redor e fazendo que minha vida apodreça…
Cada marca tem seu nome…
Tudo catalogado por
cidade ou data…
A tela já sangra pelas bordas,
e continuam arrancando mesmo assim
a cada dia um pouco de minha vida…
E assim eles vivem pra sempre…
e eu…
Sei que por sua causa
ganhei um par de asas pra voar,
mas de que me adianta?
Ganhei um par de asas,mas não passo de um inseto,
não passo de uma mosca.
Sei que você foi tecendo ao nosso redor
uma cúpula de mentiras que eu
e minha visão de 360º posso
contemplar completamente.
E essas suas mentiras impedem
de te deixar, e de voltar pra meu mundo.
Me impedem de voltar pro lixo e pra merda
que sempre acaba por se tornar o meu lar.
Isso sem contar os seus quatro pares de patas
com as quais me passa rasteiras dia após dia.
Se a verdade fosse doer,
digo que sou compreensível…
Não vê que você acabou
trancada aqui junto por dentro da teia?
Diga o final de tudo,
diga o que você pretende com tudo isso,
diga que no fim estarás a mastigar meu coração
e me sentirei bem por não ter dúvidas…
Ouço o Jair cantando
‘Porém, aqui eu confesso:
Janeiro continua sendo o pior dos meses’
E fevereiro também, e março, e abril….
E todos os meses serão janeiros…
Me bate uma angústia,
Uma ânsia de vômito,
Esqueço de respirar,
Cai uma lágrima…
Acho que é mais de ódio do que de qualquer outra coisa…
Olho pra xícara e jogo contra a parede….
A maldita é de plástico,
Devia ter tomado o café naquela xícara
de porcelana com a imagem do Elvis…
“And Marie’s the name
of his latest flame…”
Marie… Maria… Mary…M…
Dias e dias, passo a passo subindo os degraus recém colocados.
Subindo rumo à felicidade…
Escadaria do otimismo e da auto-estima.
Mas, Marie, ou algum dos seus alteregos,
que foi quem construiu tal escadaria
É quem faz a porra da escada demoronar
e eu caio novamente.
E a música não para,
“…quando eu estiver desprevinido,
você volta e acaba comigo.
Lembra como você era boa nisso?”
E eu vivo a música, independente de qual mês seja.
Hoje não é dia de cantar “A vitória”
Fui derrotado e passado pra trás mais uma vez.
Eterno retorno. Mesma história, mesmos personagens.
Mas outros nomes…
Nunca fui de me vangloriar nas vezes
em que fui vencedor, até porque teria
tão poucas estórias pra contar se
se vivesse disso.
Tenho colecionado derrotas e promessas não cumpridas.
Pra cada uma, uma marca de cigarro na pele.
Saiba que queimaduras podem doer bem menos que as mentiras
que descem rasgando pela garganta, mas não deixam esquecer.
O gosto da sarjeta ainda está em mim,
e as amizades com um mendigo a cada noite.
Alguém mais ferrado que eu só mesmo
vivendo na rua e comendo lixo.
E juro pra mim mesmo: Nunca mais!
Mas teu jeitinho de pedir perdão
ou de fingir não saber o que fez de mal
faz com que eu me traia mais uma vez.
Porque o sol ainda não nasceu…
